Mãe e filha colocando dinheiro no cofrinho, ilustrando uma das atividades da educação financeira infantil.

O melhor momento pra você começar a educação financeira infantil dos seus filhos é quando eles ainda estão lá dentro da barriga da mamãe, antes mesmo de conhecerem o mundo aqui fora.

Garanto que você nunca tinha ouvido alguém falar isso pra você, não é?! E nem deve ter lido algo assim em outro lugar.

Sabe por quê?

Porque isso não parece certo.

“Falar sobre dinheiro pra um bebê que ainda nem nasceu? Não, você deve estar ficando louco, Guilherme.”

Mas porque, então, aceitamos que seja normal conversar com a barriga sobre tantas outras coisas e não sobre dinheiro?

Te digo o porquê…

Porque falar sobre isso com crianças não parece certo.

Na verdade, conversar sobre dinheiro não parece certo nem quando somos adultos.

Esse assunto continua sendo um tabu na nossa sociedade atual, infelizmente.

E é por isso que devemos começar a conversar com as crianças sobre isso o mais cedo possível, pra que esse padrão deixe de existir e a gente possa abordar esse tema de uma forma leve e agradável.

Afinal, dinheiro é importante pras nossas vidas, não é?!

Dito isso, caso o que eu tenha falado aqui em cima tenha feito sentido pra você, ou tem filhos na idade entre 0 e 6 anos e quer que eles lidem com o dinheiro melhor que você, então leia esse post que nele eu vou te dar diversos exercícios pra introduzir a educação financeira infantil na vida das crianças de uma forma totalmente prática e eficiente.

Só quero esclarecer uma coisa pra você antes disso…

Qual a importância da educação financeira infantil?

Bom, se você refletir um pouco sobre sua vida vai poder me dizer qual a importância que o dinheiro tem pro seu dia-a-dia, não é?!

Agora me responda essa pergunta…

Você acredita que sua vida financeira teria sido mais fácil ou mais difícil se teus pais tivessem te ensinado a lidar com o dinheiro desde pequena(o)?

Se tivessem te ensinado a usar ele com sabedoria.

Se tivessem te ensinado a poupar.

Se tivessem te ensinado a investir.

Quanta dificuldade poderia ter sido evitada, não é?!

Ou você teria aproveitado um pouco mais o dinheiro quando era mais jovem e não teria se sacrificado tanto pra poupar.

Falo por mim mesmo…

Quando eu era criança, uma das mensagens que eu mais ouvia era a minha mãe falando que eu tinha que economizar, que eu tinha que poupar dinheiro.

E ouvia, também, ela criticando meu pai quando ele comprava alguma coisa fora do planejado, mesmo que tivesse dinheiro pra isso.

Isso fez com que eu ficasse extremamente mão-de-vaca quando comecei a trabalhar e ganhar meu próprio dinheiro.

Só queria saber de poupar e fazia o possível pra não ter que gastar.

Resultado? Poderia ter aproveitado mais minha vida quando era mais jovem e, ainda assim, ter guardado dinheiro.

Acredito que depois dessas reflexões aquela pergunta lá de cima, “Qual a importância da educação financeira infantil?”, fica respondida, estou certo?

Em resumo, você deve se preocupar com a educação financeira infantil dos seus filhos desde cedo porque está nas suas mãos a possibilidade de tornar mais positiva e equilibrada a relação deles com o dinheiro.

Basta você passar sua experiência e indicar alguns caminhos.

Pra isso, ofereço à você aqui abaixo algumas ideias de atividades que podem ser realizadas com as crianças.

Atividades de educação financeira infantil pra crianças de 0 a 6 anos

Nessa fase do desenvolvimento infantil as crianças estão concentradas nas sensações e nos movimentos.

Estão interessadas em pegar coisas, apalpar, aprender pelo contato.

Começam a ter noção de causa-efeito, ou seja, “se eu fizer isso vai acontecer aquilo”, e possuem uma curiosidade difícil de ser saciada (o famoso “por quê?”).

É aqui nessa fase, também, que se forma a maior parte da personalidade dos seus filhos. Portanto, é o momento ideal para iniciar a educação financeira infantil deles.

O que for aprendido nesse período, de 0 a 6 anos, será levado pro resto da vida.

Por tudo isso, nessa primeira infância a educação financeira infantil deve ser muito básica e repetitiva, com muito cuidado para o que se é falado por causa, exatamente, da formação da personalidade.

Dito isso, indico os seguintes exercícios:

1) Fale sobre o dinheiro de forma positiva.

Como eu comentei lá no começo do post, essa dinâmica pode ser utilizada até mesmo quando o bebê ainda está dentro da barriga da mãe.

Estudos indicam que as crianças começam a aprender ainda enquanto estão no processo de gestação.

Por isso, ganhe tempo e comece a falar sobre dinheiro, e a introduzir a educação financeira infantil, o quanto antes.

Dessa forma, seus filhos ficarão cada dia mais familiarizados com o assunto e vão saber conversar sobre ele sem medo ou vergonha.

Meu filho mexendo no dinheiro quando era bebê.

Não pense que fazendo isso você irá tornar seu filho ganancioso e que ele só vai pensar em dinheiro.

Você está apenas introduzindo um tema importante e necessário pra vida da maioria das pessoas, assim como tantos outros.

Não importa se seu filho ainda não fala ou você pensa que ele não entende, converse sobre o dinheiro (e sobre tudo o que quiser) mesmo assim.

A mensagem vai ficar gravada e a mente dele vai ficar muito mais preparada pra absorver mais informações à medida que ele cresce.

É como se estivéssemos adubando a terra (a mente das crianças) pra plantar algumas sementes ali ao longo dos anos.

2) Crie um cofrinho.

Essa atividade de educação financeira infantil começa a se tornar efetiva a partir de 1 ano.

Eles gostam de rotinas e adoram brincar com pequenos objetos.

Compre, ou faça, um cofrinho e ensine eles a guardar moedinhas.

Sempre que eles guardarem uma sozinho comemore muito e os parabenize por isso.

Essa sua atitude gera um reforço positivo e faz com que a criança queira fazer isso de novo.

Com o tempo, ela vai absorver esse hábito de guardar dinheiro e também vai dar uma motivação a mais pra ela guardar a moeda ao invés de colocar na boca.

Você se beneficia de duas formas diferentes.

Mas lembre-se de permitir e incentivar que seus filhos usem parte do dinheiro com eles de vez em quando, seja para comprar um doce ou algum brinquedo que eles queiram.

Isso faz com que no futuro eles não queiram só guardar (como eu fiz), mas também saibam que dinheiro é para ser usado para melhorar a vida deles.

Aqui em casa, o que o Léo mais gosta de fazer com as moedinhas guardadas é comprar pão de queijo 😀

Observação: essa atividade ainda não tem relação com mesada. Se quiser saber mais sobre mesada é só clicar aqui.

3) Ajude na definição do significado do dinheiro.

Quando seus filhos chegarem aos 3 anos você já pode começar a mostrar a diferença entre uma nota e uma moeda.

Pode pedir pra eles descreverem o dinheiro da forma que eles o compreendem.

E você, mãe ou pai, pode começar a definir pra eles o que é o dinheiro e pra que serve.

Nessa fase, a partir dos 3 anos, as crianças já conseguem compreender melhor aspectos mais invisíveis e a formar imagens mentais do que aprendem.

Repita isso de vez em quando e esteja atenta(o) pra verificar como a percepção deles pode mudar ao longo do tempo.

E você, já definiu o significado do dinheiro pra você?

4) Teste a paciência deles.

Quando a criança chega aos 4 é importante você intensificar o ensinamento da paciência.

Elas ainda são muito egoístas e imediatistas, mas pro bem delas é necessário desenvolver a habilidade de saber esperar.

Defina os limites e seja firme.

Por exemplo, para não dar brinquedos sempre que seus filhos pedem, defina datas específicas na qual eles vão ganhar presentes.

Aniversário, Natal, etc.

Doces? Só depois de fazerem algum comportamento positivo que você quer que eles aprendam.

E mais, esse momento de ensinar seus filhos a esperarem também torna-se uma oportunidade pra ensinar eles a se planejar.

Quer um brinquedo? Então fale pra eles “filho, nesse momento eu não vou comprar, mas que tal fazer um plano de guardar 3 moedinhas por dia para comprarmos ele daqui 30 dias?”

Qual você imagina que vai ser a resposta deles? Confio que será “sim”.

Escolha um pote que tiver em casa, escreva o nome do brinquedo num pedaço de fita crepe e cole no vidro pelo lado de fora.

Dê as 3 moedinhas pra eles todos os dias e garanta que consigam o valor no final do mês, sem você ter que inteirar nada.

Perceba que fantástico, eles vão comprar algo pelo próprio esforço e vão saber que são capazes de poupar.

Os reflexos disso na vida adulta serão FANTÁSTICOS, tanto pela parte de ter paciência como de saber planejar.

Quer um exemplo?

Quando quiserem abrir uma empresa ou conquistarem uma promoção no trabalho eles vão saber que primeiramente precisam se esforçar e ter paciência.

Se fizerem isso, é praticamente certo que o resultado virá em algum momento.

E tudo porque você preocupou, e leu esse post, com a educação financeira infantil deles enquanto ainda eram crianças.

5) Ensine seus filhos a usarem o dinheiro.

A partir do momento que seus filhos adquiriram o hábito de poupar no cofrinho e já tiverem vontade de comprar algumas coisas, pode começar a permitir que usem o dinheiro com coisas que eles queiram.

Quando forem às compras, faça com que eles contem o dinheiro antes de pagarem pelo que querem.

Ajude a contar as moedas e as notas pra que percebam a quantidade necessária pra comprar, muitas vezes, uma coisa que vale R$ 5,00.

Aproveite e reforce alguns comportamentos, dizendo: “Uau filho, olha quanto dinheiro você conseguiu guardar. Parabéns!” ou “Filho, parabéns por ter conseguido poupar seu dinheiro pra comprar o que você quer.”

Isso vai fazer eles começarem a valorizar cada centavo e entenderem a importância do dinheiro.

E mais, vai ajudar eles com matemática, por mais básica que ainda possa parecer.

6) Deixe que tomem decisões baseadas na própria percepção de valor.

Permita que seus filhos, nessa fase de 0 a 6 anos, tomem decisões com base na percepção de valor que eles têm das coisas.

Por exemplo, se num determinado dia seu filho quiser trocar com um amigo um brinquedo que “custou” R$ 200,00 por um de R$ 10,00 que ele considera mais interessante, deixe que troque.

O que está em jogo pra ele não é o dinheiro, mas sim o valor que ele percebe.

Ele não vai conseguir entender se você falar “filho, mas você está trocando um brinquedo que eu paguei R$ 200,00 por um que custa apenas R$ 10,00. Não faça isso.”

Pra ele o de R$ 10,00, que ele quer, vale muito mais naquele momento, entende?

E nem pense em ir lá comprar o brinquedo de R$ 10,00 igual ao que ele quer pra que ele continue tendo o de R$ 200,00.

Deixe que ele troque e que ele sinta como é ficar sem o de R$ 200,00 e ter o de R$ 10,00.

Na vida, inevitavelmente, não conseguimos ter absolutamente tudo o que queremos.

Quase sempre precisamos abrir mão de alguma coisa pra ter outra.

E seguindo o que comentei acima seus filhos já estarão aprendendo isso desde pequeno.

Conclusão

Se você realmente quer que seus filhos tenham uma vida feliz e que consigam realizar todos os sonhos que tiverem, então é fundamental que você introduza na vida deles a educação financeira infantil.

Caso você não faça isso eles vão ter que aprender na marra, pela própria experiência, e isso, muitas vezes, acaba por ser muito doloroso, não é?!

O objetivo da educação financeira infantil não é garantir que seus filhos não passem por dificuldades ou por falta de dinheiro, ou que sejam mimados, mas sim assegurar que eles aprendam algumas coisas que podem deixar a vida deles muito mais leve.

Pra isso, use, de preferência, todas as atividades que propus ao longo desse post, que foram:

  1. Fale sobre dinheiro de forma positiva;
  2. Crie um cofrinho;
  3. Ajude na definição do significado do dinheiro;
  4. Teste a paciência deles;
  5. Ensine seus filhos a usarem o dinheiro;
  6. Deixe que tomem decisões baseadas na própria percepção de valor.

Dos 0 aos 6 anos é a melhor fase pra fazer com que seus filhos vejam o dinheiro como um aliado, como um recurso que pode potencializar e dar liberdade pra eles viverem a vida como quiserem.

Isso te parece interessante?

Deixe seu comentário aqui abaixo e compartilhe esse post com suas(seus) amigas(os) que também têm filhos entre 0 e 6 anos.